TRABALHO
Desenhando identidade, desde a raiz.
· Mariana Rangel
Identity Echoes não começou como um projeto — começou como um chamado silencioso. Um eco interno que me acompanhou por anos, escondido nos cantos das perguntas que nunca me deixaram em paz.
Quando criança, enquanto minha família mergulhava nos mitos clássicos da Grécia antiga, eu escutava outras vozes. Me encantava com as histórias brasileiras que pareciam pulsar com a terra: o som das matas, os cantos dos bichos, os sussurros de seres encantados que habitam o que o olhar apressado não vê. Eram narrativas de quem sobreviveu sendo invisível, de quem resistiu sendo imaginário.
Desenhava para entender. Desenhava para lembrar.
Sem saber, estava registrando não apenas imagens, mas vestígios de um pertencimento ancestral. Como se cada traço fosse uma tentativa de me localizar em um mundo que, desde cedo, me parecia feito de muitas camadas — algumas visíveis, outras nem tanto.
Com o tempo, percebi que essas histórias não estavam fora de mim. Elas ecoavam em mim.
Afinal, o que é a identidade senão esse emaranhado de vozes, silêncios, mitos e escolhas?
Não somos apenas feitos do que vivemos, mas também do que ouvimos, do que herdamos, do que recusamos e do que sonhamos transformar.
Identity Echoes nasceu da vontade de escutar essas camadas. De entender como a identidade se constrói entre fragmentos — às vezes em ruído, às vezes em harmonia.
O nome carrega essa ideia: a identidade como reverberação. Como algo que atravessa gerações, geografias e afetos. Um som que viaja pelo tempo, se modifica, se mistura, mas nunca se apaga completamente.
É um projeto que une arte visual, entrevistas e narrativa. Mas, mais do que isso, é uma cartografia sensível de quem somos e do que carregamos. Um convite para olhar para dentro — e para trás — com coragem e ternura.
Porque há perguntas que não têm resposta única, mas que merecem ser feitas em voz alta:
O que em mim é herança?
O que é invenção?
De quais ecos sou feita?
E que som quero deixar no mundo?
Identity Echoes é isso: uma busca. Um espelho rachado que ainda reflete. Uma voz que ainda chama. Um traço que ainda insiste em se transformar em caminho.